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Split Payment: o que muda para as empresas e por que a implantação foi adiada

  • há 2 dias
  • 5 min de leitura


A Reforma Tributária não vai mudar apenas a forma como os impostos são calculados. Ela também poderá transformar a maneira como o dinheiro das vendas chega ao caixa das empresas.


Um dos mecanismos previstos é o Split Payment, sistema criado para permitir o recolhimento do IBS e da CBS no momento da liquidação financeira da operação.


Mas atenção: o Split Payment foi adiado e estará disponível de forma facultativo em janeiro de 2027. Até o momento, não foi definida uma nova data oficial para sua implantação.


Isso não significa que a Reforma Tributária tenha sido adiada. A nova sistemática de tributação continua avançando conforme o cronograma previsto.


O que é o Split Payment?


O Split Payment é um mecanismo que permitirá a separação automática da parcela correspondente ao IBS e à CBS no momento do pagamento de uma operação.


De forma simplificada, imagine uma empresa que realiza uma venda de R$ 1.000.


No modelo tradicional, a empresa recebe o pagamento e posteriormente apura e recolhe os tributos.


Com o Split Payment, a ideia é que o sistema de pagamento identifique a parcela correspondente aos tributos e faça o direcionamento para o recolhimento, enquanto o fornecedor recebe o valor líquido.


O objetivo é integrar o recolhimento do tributo ao próprio processo de pagamento.


O Split Payment começa em janeiro de 2027?

Não.


Essa é uma das principais atualizações sobre o tema.


O Split Payment não começará em janeiro de 2027, como anteriormente previsto.


A implementação foi adiada porque o desenvolvimento e a integração do sistema exigem mais tempo, inclusive por parte das instituições financeiras.


Até o momento, não existe uma nova data oficial definida para o início da operação.


Portanto, não é correto afirmar que o empresário terá o Split Payment funcionando automaticamente em todas as vendas a partir de janeiro de 2027.


O adiamento do Split Payment adia a Reforma Tributária?

Não.


Esse é um ponto muito importante.


O adiamento do Split Payment é uma questão relacionada ao mecanismo de recolhimento automático, e não ao cronograma geral da Reforma Tributária.


A partir de 2027, continuam previstas as mudanças relacionadas à CBS e ao IBS, conforme as regras de transição.


Ou seja:

Reforma Tributária continua.CBS e IBS continuam.Split Payment foi adiado.


E o dinheiro não passa mais integralmente pelo caixa?

Quando o Split Payment estiver efetivamente implantado, esse será um dos principais pontos de atenção para as empresas.


A lógica do sistema é que a parcela correspondente aos tributos seja separada durante a liquidação financeira da operação.


Isso pode alterar a dinâmica do capital de giro, principalmente em empresas que atualmente utilizam os valores recebidos das vendas para financiar suas operações até o momento do pagamento dos impostos.


Por isso, o impacto do Split Payment não deve ser analisado somente pelo departamento fiscal.


O financeiro também precisará acompanhar a mudança.


O impacto no fluxo de caixa

Imagine uma empresa que realiza R$ 500 mil em vendas por mês.


Quando o Split Payment estiver em funcionamento, parte do valor relacionado aos tributos poderá ser direcionada automaticamente ao recolhimento.


Isso torna ainda mais importante acompanhar:


  • quanto a empresa vende;

  • quanto efetivamente recebe;

  • quanto será destinado aos tributos;

  • quanto será utilizado para pagar fornecedores;

  • quanto ficará disponível para despesas;

  • quanto poderá ser reinvestido;

  • qual será a necessidade de capital de giro.


O faturamento, portanto, não será suficiente para entender a capacidade financeira da empresa.


Será cada vez mais importante acompanhar o caixa efetivamente disponível.


E os créditos tributários?


O novo modelo também está relacionado à lógica de não cumulatividade do IBS e da CBS.

A empresa poderá apropriar créditos conforme as regras aplicáveis às suas aquisições.

Por isso, o impacto tributário não deve ser analisado olhando somente para o imposto gerado nas vendas.


É necessário avaliar conjuntamente:


Compras + Vendas + Créditos + Tributos + Fluxo de Caixa.


Essa análise será importante para entender o real impacto da Reforma Tributária sobre a empresa.


Como ficará o recolhimento enquanto o Split Payment não estiver disponível?


O adiamento do Split Payment não significa que as empresas ficarão sem mecanismos de recolhimento.


A regulamentação prevê outras modalidades, incluindo o Recolhimento pelo Adquirente (RAD).


O RAD funciona de maneira diferente do Split Payment e poderá ser utilizado conforme as condições e regras estabelecidas para cada operação.


Com o adiamento do Split Payment, o acompanhamento dessas alternativas passa a ser ainda mais importante para empresas e profissionais da área fiscal.


Quem precisa acompanhar essa mudança?


Praticamente toda empresa que realiza operações sujeitas ao IBS e à CBS deverá acompanhar a Reforma Tributária.


O impacto pode ser especialmente relevante para negócios com grande volume de transações, como:


  • restaurantes;

  • supermercados;

  • lojas;

  • e-commerce;

  • prestadores de serviços;

  • empresas que vendem para outras empresas;

  • marketplaces;

  • empresas que trabalham com pagamentos eletrônicos.


Quanto maior o volume de operações, maior será a importância de sistemas preparados para acompanhar as novas regras.


O cartão de crédito muda alguma coisa?

O Split Payment está relacionado à liquidação financeira das operações.


Por isso, os sistemas de pagamento terão papel importante quando o mecanismo entrar em funcionamento.


A empresa deverá avaliar a integração entre:

Venda → Documento Fiscal → Meio de Pagamento → Recolhimento → Contabilidade → Financeiro

Mas é importante destacar: o fato de o Split Payment ter sido adiado não significa que as empresas devam deixar a preparação tecnológica para depois.


A adaptação dos sistemas fiscais e dos documentos relacionados ao IBS e à CBS já faz parte da transição da Reforma Tributária.


O grande desafio continuará sendo o capital de giro


Mesmo com o adiamento do Split Payment, as empresas precisam entender como a Reforma Tributária poderá afetar seu fluxo financeiro.


Uma empresa pode apresentar faturamento elevado e, mesmo assim, enfrentar dificuldades financeiras se não houver planejamento adequado.


Por isso, é importante revisar:


  • prazo de recebimento das vendas;

  • prazo de pagamento dos fornecedores;

  • necessidade de capital de giro;

  • antecipação de recebíveis;

  • custos financeiros;

  • margem de lucro;

  • formação de preços;

  • impacto dos novos tributos.


A pergunta deixará de ser apenas:

“Quanto eu vendo?”


E passará a ser:

“Quanto do valor vendido realmente fica disponível para minha empresa?”


O que as empresas devem fazer agora?


O adiamento do Split Payment não significa que as empresas devam esperar.

A Reforma Tributária continua avançando e 2026 já representa uma etapa importante de preparação para as mudanças que ocorrerão nos próximos anos.


Algumas medidas podem ser tomadas desde já:


1. Revisar o fluxo de caixa

Faça simulações considerando diferentes cenários de recebimento e recolhimento dos tributos.


2. Revisar a formação de preços

Avalie os impactos da CBS, do IBS, dos créditos tributários e dos custos financeiros.


3. Avaliar os sistemas

ERP, emissão fiscal, sistemas financeiros e meios de pagamento deverão acompanhar as novas exigências da Reforma Tributária.


4. Conversar com os fornecedores de tecnologia

Verifique se o sistema utilizado pela empresa está sendo atualizado para as novas regras fiscais.


5. Simular o impacto no capital de giro

Empresas com grande volume de vendas ou prazos diferentes entre recebimentos e pagamentos devem fazer projeções financeiras.


6. Acompanhar a definição do novo cronograma

Como o Split Payment foi adiado e ainda não possui nova data oficial definida, empresas e profissionais precisam acompanhar as próximas regulamentações e comunicados oficiais.


Split Payment foi adiado, mas a preparação não pode esperar


O adiamento do Split Payment muda o cronograma do mecanismo de recolhimento automático, mas não paralisa a Reforma Tributária.


As empresas continuarão enfrentando mudanças relacionadas ao IBS, à CBS, aos documentos fiscais, aos créditos tributários, aos sistemas e à formação de preços.


Por isso, o empresário não deve esperar a definição da nova data do Split Payment para começar a se preparar.


O momento é de analisar os impactos tributários e financeiros, revisar sistemas, simular cenários e entender como a nova estrutura poderá afetar o negócio.


O Split Payment foi adiado. A nova data ainda não foi definida. Mas a Reforma Tributária continua avançando.


E quanto antes sua empresa entender os impactos sobre preços, impostos, sistemas e capital de giro, maior será a capacidade de se adaptar às novas regras.

Nosso escritório pode ajudar sua empresa a analisar os impactos da Reforma Tributária, simular cenários, revisar a formação de preços e preparar sua operação para as mudanças que estão por vir.

 
 

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